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AS EDITORAS JOSÉ OLYMPIO E RECORD VOLTAM A PUBLICAR A OBRA DE DRUMMOND

O Grupo Editorial Record será novamente a casa editorial de um dos maiores poetas em língua portuguesa de todos os tempos. Os netos de Carlos Drummond de Andrade e o grupo chegaram a um acordo que prevê a publicação de 63 títulos, entre eles sete novos, nos formatos de livro impresso, livro digital e áudio-livro. O retorno de Drummond ao Grupo Editorial Record retoma uma longeva parceria de 68 anos, considerando-se o tempo em que ficou na José Olympio e na Record.

Segundo o acordo, a Editora Record ficará responsável pelas edições da obra completa, enquanto a Editora José Olympio, também parte do Grupo Editorial Record, produzirá edições especiais de alguns títulos, com material iconográfico, fac-símiles etc. O retorno do poeta às duas casas editoriais que, ao longo de quase setenta anos, tanto contribuíram para a difusão de sua obra, ocorre num momento especial. Em novembro de 2021 a José Olympio completa 90 anos e, em 2022, serão comemorados os 120 anos de nascimento do poeta e os 80 anos de fundação da Editora Record.

O anúncio oficial foi feito na Flitabira, no dia em que foram celebrados os 119 anos do nascimento de Drummond, em transmissão ao vivo diretamente da casa onde ele morou até seus 14 anos e da sede do Grupo Editorial Record. Na cidade mineira estavam o neto do escritor, Pedro Augusto Graña Drummond, e o idealizador do evento, Affonso Borges, e, na Record, Roberta Machado, a vice-presidente do Grupo Editorial Record, e os editores-executivos Rodrigo Lacerda e Lívia Vianna.

Para nós é um momento muito especial, estamos festejando essa reaproximação. Além do projeto de trabalho, há um vínculo afetivo que atravessa gerações, é um momento emocionante, estou feliz de estar de volta com vocês, de bater bola e sentir que a poesia continua unindo as pessoas”, celebrou Pedro Augusto Graña Drummond.

A vice-presidente do Grupo Editorial Record, Roberta Machado, retribuiu a confiança:

 

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“Meu avô e Drummond tiveram uma caminhada importante, eles plantaram juntos uma árvore no pátio da editora em 1984, teve um simbolismo enorme, a árvore continua aqui. Agora são os bisnetos deles, que coincidentemente se chamam Miguel e têm 14 anos, que vão plantar outra árvore”.

Está prevista a criação de um Conselho Editorial, formado por representantes da editora, da família do poeta e por um especialista em sua obra, que será responsável pelo acompanhamento dos trabalhos de fixação dos textos e de produção das novas edições. Pela primeira vez serão cotejados os textos com as obras do acervo da família de Drummond e com suas correções de próprio punho. Entre os primeiros livros a serem publicados estão os três volumes reunidos de Viola de bolso, há 70 anos fora de circulação como livro individual, e As impurezas do branco.

“Queremos levar a obra dele para novos públicos, realmente conquistar novos leitores para essa obra que, mais do que atual, é eterna, que tem uma mensagem muito viva para todos nós”, pontuou Rodrigo Lacerda, editor-executivo da Editora Record.

“Ficava intrigada com um livro do antigo acervo da José Olympio, que era o Viola de bolso, e teve uma coincidência porque esse foi um dos títulos comentados pelo Pedro logo no primeiro encontro que a gente teve”, completou Lívia Vianna, editora-executiva da José Olympio.

Contribuiu ainda para o acordo a modernização e a ampliação da capacidade produtiva do Grupo Editorial Record, que é hoje o maior grupo de capital exclusivamente nacional no Brasil, conhecido por abrigar tanto autores do primeiro time da literatura brasileira e internacional, como Graciliano Ramos, Adélia Prado, Gabriel García Márquez, Albert Camus e Umberto Eco, quanto bestsellers de altíssima vendagem, como Sarah J. Mass, Nora Roberts e Coleen Hoover.

É antiga a amizade que une a família do poeta à das proprietárias do Grupo Editorial Record. A parceria baseia-se, assim, numa relação de respeito, transparência e mútua confiança. A relação de Drummond com Alfredo Machado, fundador da Record, era tão forte que poucos dias antes de sua morte o poeta chamou o neto para conversar.  “Ele disse que eu ia ter que cuidar da vovó e da obra dele. Ele indicou algumas pessoas que a gente deveria procurar e entre eles estava o Alfredo Machado”, lembra Pedro. “O Carlos também ficaria contente de saber que a obra dele vai ser trabalhada por profissionalíssimos e por amigos”.

DRUMMOND E A RECORD

“Em 1984, Alfredo Machado e Carlos se tornaram amigos e parceiros. Em 2021, os netos de ambos continuamos a amizade e restabelecemos a parceria”, celebra Pedro Graña Drummond, um dos netos do poeta. “Nos 90 anos da José Olympio e às vésperas de comemorarmos o Bicentenário do Brasil junto com outros 200 anos – os 80 da Record e os 120 de CDA –, é bom relembrar as palavras do próprio Carlos em entrevista concedida a mamãe, em janeiro de 1984, quando, depois de 42 anos na antiga editora, mudou-se para a Record”.

“Eu me sinto visceralmente ligado pelo coração à José Olympio. Escolhi a Record porque é uma grande editora. Há outras grandes editoras no Rio e no Brasil (São Paulo, Belo Horizonte etc), mas a Record me pareceu a que mais se harmonizava com a minha maneira de ser.”

Carlos Drummond de Andrade é um dos maiores poetas da Língua Portuguesa de todos os tempos. Nascido em Itabira (MG), conquistou seu primeiro prêmio aos 20 anos com o conto “Joaquim do Telhado”. Concluiu o curso de farmácia, em Belo Horizonte, mas nunca exerceu a profissão. Foi um dos precursores da chamada “Poesia de 1930” e um dos expoentes da segunda fase do modernismo brasileiro. Seu livro de estreia, Alguma poesia (1930), traz obras primas como os poemas “No meio do caminho” e “Poema de sete faces”.

Alguns de seus livros mais celebrados são Sentimento do mundo (1940), A rosa do povo (1945), Claro enigma (1951) e Corpo (1984). Ao longo de cinco décadas, Drummond atuou também como cronista, na revista Leitura (1943-1949), no Correio da Manhã (1954-1969) e no Jornal do Brasil (1969-1984).

 

Falecido em 1987, naquele mesmo ano foi tema do samba-enredo da Mangueira “O reino das palavras”, que venceu o Carnaval. Dois anos depois, foi homenageado tendo sua efígie impressa na nota de 50 cruzados. Além disso, ganhou estátuas em Porto Alegre, em Belo Horizonte e no Rio de Janeiro, na Praia de Copacabana, onde se tornou concorrido ponto turístico.

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